Capítulo 2: Fantasmas

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Fanfic MATURE (acima de 16 anos)


BROKEN DREAMS


Não se preocupe, não vou tomar nenhuma medida drástica, a não ser continuar, tem coisa mais auto destrutiva do que insistir sem fé nenhuma? Ah, passa devagar a tua mão na minha cabeça, toca meu coração com teus dedos frios, eu tive tanto amor um dia”.

Caio F.

. Capítulo 2: Fantasmas

Ela já estava atravessando a rua quando sentiu dedos fortes segurando seu braço. Ela girou no mesmo lugar ficando de frente pra ele. O sol da manhã ofuscou a visão completa do rosto dele. Ela estreitou os olhos.

“Porque saiu desse jeito?” Só então ela percebeu que ele estava todo molhado. Os cabelos pingavam e a camiseta grudava no peito e abdômen formando manchas mais escuras. Ele deveria ter saído correndo do chuveiro, quando ouvira a porta batendo. Quis sorrir, mas não o fez.

“Você disse que ia voltar” Ele riu. Baixou a cabeça ao fazer isso, algumas gotas do cabelo molhado dele pingaram no rosto dela. Ela não secou. Ele ainda segurava seu braço, e o coração dela disparou ao som daquele riso.

“Eu vou, Beatrice, eu precis…” Ela se soltou dele com um gesto brusco. Seu tom de voz adotou um tom metálico e duro.

“Não me chame de Beatrice” Ela respirou fundo antes de continuar. Quando falou já estava de costas, indo embora de novo. “E se tem que ir, Adeus”

“Domino” A voz dele foi alta o suficiente para sobressaltar algumas pessoas que passavam na rua. Ela virou-se, mas permaneceu onde estava. Sentia-se infantil, o coração batendo descompassado. Prometera há muito tempo não precisar mais de ninguém. E pretendia cumprir. Ele deu três passos e se aproximou bastante neles, ficando tão perto dela que ela teve que erguer o rosto para fitá-lo. “Foi você que partiu Dominó. Estávamos juntos, foi decisão sua ir embora. Você levantou-se no meio da noite e desapareceu. Eu demorei muito pra te encontrar naquele apartamento que você chama de casa. E agora quando eu preciso voltar as minhas responsabilidades, que diga-se de passagem eram suas também, você faz isso?”

Ela abriu a boca para responder. Queria lhe dizer muitas coisas. Queria lhe dizer que há muito tempo não tinha uma casa. Queria dizer a ele como era sentir-se sozinha e sem lugar no mundo. Queria lhe contar a sensação de continuar trabalhando em missões para a S.H.I.E.L.D. Queria lhe dizer que tudo que mais queria era ter uma vida normal. Com ele. Uma família talvez. Era um pecado afinal? Alguém como ela desejar isso?

Era. Ela sabia disso. Fora criada para ser uma arma perfeita na mão de outras pessoas. Ser controlada, enviada a missões impossíveis que só ela poderia fazer. Não fora criada para amar. Não tinha esse direito. A única vez que tentara fugir do seu destino, tentara amar e ser amada, o fim havia sido drástico.

Balançando a cabeça, ela fez menção de se virar mais uma vez. Ele puxou-a para si, o corpo dela trombou com o dele, e ela achou que ele fosse beijá-la, mas ele apenas a abraçou. Encaixou o rosto no ombro dela, os lábios encostando no seu pescoço. Os cabelos dele molharam seu rosto, sua roupa. Ela ficou sem reação, os braços ao longo do corpo. Sentiu medo. Sentiu um medo horrível e sentiu os cílios pesando anunciando lágrimas. Manteve os olhos muito abertos, para que as mesmas não descessem por seu rosto.

Eu acho que vou cortá-los bem curtos” .

Ouvia a própria voz em sua mente, relembrando cenas perdidas de um passado distante.

Nem pense nisso. Seus cabelos são lindos assim”

A voz dele parecia tão nítida que era como se pudesse virar-se e vê-lo parado atrás de si.

Mas são difíceis de cuidar. Na minha profissão, eles atrapalham muito”

Sentia as lágrimas se acumulando, sua vista ficou embaçada.

Mas você é minha guarda-costas não é? Eu exijo que minha guarda-costas tenha cabelos longos”

O sorriso dele era lindo. As covinhas que se formavam em seu rosto o deixavam tão charmoso.

Eu te amo Beatrice”

Foram sempre raras as ocasiões em que ele dissera isso. Mas ela sabia, sentia que era sincero.

Eu também te amo, Milo”.

As mãos de Nathan acariciavam suas costas de leve, enquanto ele dava beijos em seu pescoço, subindo para o rosto. Domino finalmente fechou os olhos com força. Queria afastar as imagens do passado que a rondavam como um fantasma brincalhão que quisesse assombrá-la. Sentiu os cílios molhando seu rosto e ficou apavorada. Não conseguia se lembrar a última vez que tivera essa sensação na vida. Não podia se deixar levar dessa forma, não de novo. Só ela sabia o preço alto que tivera que pagar por amar. Por quebrar as regras. O destino dela não era esse. Era outro. Era ser uma arma para matar e não amar.

Com esse pensamento claro em sua mente, espalmou as mãos no peito molhado dele e o empurrou com toda a força que tinha. Ele não estava preparado para esta reação e por isso cambaleou para trás, enquanto ela corria. Corria muito, cega, sentindo as lágrimas descendo pelo rosto.

Não saberia dizer como chegou a seu velho apartamento, mas chegou. Ele não gostava de lá e por isso sempre ficavam em algum motel ou hotel na cidade, onde os móveis eram claros, a vista ampla. Procurou a chave no bolso de trás da calça e girou a maçaneta. Fazia algumas semanas que não voltava para “casa”, mas parecia que fazia meses que ninguém passava por ali. Os poucos móveis escuros tinham uma camada grossa de poeira. As cortinas pesadas e fechadas deixavam o ar mais sombrio.

Dominó não se importou com isso e andou lentamente até o quarto, tirou a colcha empoeirada da cama e deitou sobre o lençol branco. Ali também as cortinas estavam fechadas e apesar de ainda ser muito cedo, o ambiente fazia com que parecesse ser noite. Noite como o interior dela. Escuro. Suspirou, virando-se de barriga para cima, os olhos azuis fixos no teto desbotado.

Algo em sua calça vibrou. Ela sentou-se na cama, os cabelos caindo no rosto. Abriu o celular, atendendo sem olhar para o visor. Apenas uma pessoa tinha aquele número.

“Alô” A voz controlada. Os olhos secos. Nenhuma emoção.

“Temos uma missão importante para você. Amanhã de manhã no local de sempre” Aquela voz áspera e urgente não esperou que ela dissesse qualquer coisa para desligar. Como sempre, ela não poderia ter nada a questionar. Deveria apenas ir.

E iria.


continua


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